Nós

títuloNós
autorEvgueni Zamiatine
editoraAntígona
ano2017pag289isbn9789726080329

adquirirAntígonaWook

título original Мы
tradução Manuel João Gomes, a partir da versão inglesa We (Penguin, 1960)
revisão Carla da Silva Pereira
capa Ricardo Tadeu Barros / TTdesign
edição4.ª [Maio 2017]
dimensões130 x 210 x 21 mm

notaEste livro foi composto com caracteres Garamond, tipo desenhado por Robert Slimbach em 2000. Impresso em Coral Book de 80 gramas, creme.

conteúdo

  • » A Liberdade no Ano 3000, Manuel João Gomes (Lisboa, 1990)
  • » Nós
  • » Autobiografia (1929)

sobre O romance Nós foi escrito em 1920, tendo sido publicado pelaprimeira vez em 1924, numa tradução inglesa, em Nova Iorque. A primeira edição russa só sairia em 1952, também em Nova Iorque. Apenas na década de 80, depois da perestroika, pôde a obra ver a luz do dia na URSS.

Nós constitui uma das primeiras distopias do século XX, precursora de obras como Admirável Mundo Novo (1930), de Aldous Huxley, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1948), de George Orwell, e Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury. Têm em comum descreverem por antecipação a engenharia social que, apoiada no controlo do pensamento e na repressão da dissidência, garante a unanimidade totalitária.

Nesta obra, a matematização do real é o instrumento que permite uniformizar os seres ao ponto de o indivíduo se ver abolido. No Estado Único, as Tábuas dos Mandamentos Horários sincronizam actividades produtivas e relações sexuais, na transparência absoluta das casas de vidro. Ultrapassados os tempos em que «cada um escrevia o que lhe passava pela cabeça», a própria criação literárias foi taylorizada e posta ao serviço do Benfeitor: «Os nossos poetas já não vivem no empíreo. A lira deles é a fricção matutina da escova de dentes eléctrica.» Uma obediência perfeitamente interiorizada resulta deste processo colectivo de vigilância e autovigilância do sujeito do Estado. Aqueles a quem porventura os sonhos afligem, como acontece com D-503, o narrador, serão submetidos à fantasioctomia que os dá-de devolver à felicidade vítrea da primeira pessoa do plural. Extirpam-se assim as doenças da alma para aumentar a plenitude artificial e automática do simulacro.

A obra de Zamiatine não constitui apenas uma parábola sobre um sistema político instituído como fim da história. É também uma ficção sobre o triunfo da racionalidade. Por isso, numa situação histórica em que a digitalização do real se estende a todos os domínios e os chips podem ser finalmente implantados na carne dos indivíduos, a sua fantasmagoria ganha outras ressonâncias. — Manuel Portela